domingo, 20 de maio de 2018

HISTÓRIA DO PRIMEIRO PAU DE ARARA DE CALDEIRÃO GRANDE A SÃO PAULO


Era o ano de 1947, o jovem Didi, vivendo em plena juventude de rapaz solteiro, aos 23 anos de idade, tendo trabalhado com muita determinação e coragem, nos últimos cinco anos, dedicando-se ao comércio, juntou uma boa quantidade em dinheiro e resolveu viajar para São Paulo, sabendo notícias que lá na cidade grande, era bem mais fácil arrumar um bom emprego e conseguir uma vida melhor.

Assim, no dia 10 de fevereiro de1947, chegou em Caldeirão Grande, o caminhão Mercedes do estado da Paraíba, sendo proprietário o Sr. José Resende, (Zé Padre) que viveu e residiu à Rua da Matriz com sua família.

Esta seria a primeira viagem de pau-de-arara com destino a São Paulo e a lotação já estava completa por oito pessoas de Caldeirão Grande: Pulu, barbeiro do Jenipapo, Leôncio, Rosalvo, dois filhos de Antônio Luís, Chiquinho da Tia Tina, Didi e Josias, seu cunhado.

Os outros eram 37 nortistas da Paraíba e de Pernambuco. O motorista era também Paraibano. Ao todo, embarcaram 45 homens. Não imaginavam do drama que estava pra acontecer.

A partida então foi um verdadeiro clamor. Todos vieram assistir o triste adeus. Os amigos, conhecidos, parente, esposas, filhos, despediam-se chorando, abraçavam-se e entregavam algumas coisas pequenas, como medalhas para dar sorte, o rango para os primeiros dias de viagem, não podia faltar.

Lá se foram pela estrada Rio Bahia, que se achava em construção e muito acidentada, devido as obras, os caminhos vicinais péssimos, eram tantos os desvios, ficando perdidos, algumas vezes. Outras até, era necessário desmatar algum trecho a fim de dar passagem ao caminhão, que já enguiçava muito, ficando dias, parado no conserto, ou por falta de combustível, outras vezes, atolado. O pau- de-arara na situação que se encontrava não dava mais para rodar e não havia mais dinheiro para consertar.

Os dias se passavam e, com muito sacrifício, chegaram até Vitória da Conquista onde abandonaram o caminhão quebrado, porém, mais lamentável era a situação dos passageiros, muitos deles, já passando por privações do alimento, do remédio, o desconforto da viagem... Assim, em meio a tantas dificuldades, seguiram até Montes Claros. O dono do velho carro Mercedes, por demais cansado e desanimado, tomou a decisão de passar um telegrama para sua terra, pedindo recursos para o conserto do carro. Os passageiros, sem esperança, sem condições, não podiam mais esperar e, nessa situação penosa, tiveram que se separar na estação ferroviária de Montes Claros-MG, sem saber qual seria o destino dos companheiros de viagem da Paraíba e de Pernambuco. O sonho da viagem do pau-de-arara, termina por aí. Porém a sorte dos passageiros de Caldeirão Grande foi diferente. O Sr. Didi, que havia levado CR$ 3.500,00 (três mil e quinhentos cruzeiros), apesar dos gastos, ainda sobrava um pouco. Reuniram-se todos eles e juntaram as economias que restava de cada um para comprar as passagens de trem.

E foi assim, a troco de muita maçada de sacrifício e espera, que conseguiram as oito passagens de primeira classe até São Paulo, sendo que esperaram cinco dias na fila da estação.

Finalmente, o destino da viagem estava chegando... Após vinte e dois dias, não viam o momento de conhecer São Paulo, suas fábricas, seus edifícios, o movimento das ruas, o bonde. Como seria a terra da garoa? Pensavam assustados, já pisando as terras paulistas em três de Março de 1947.

https://memoriasmarinalva.blogspot.com.br/

terça-feira, 15 de maio de 2018

SEDE DE DEUS


Eu busco saciar a sede
Do coração que me abrasa
Na mais ardente chama
Do amor de Deus na minh’alma!

Eu busco saciar a sede
Nas claras fontes da VIDA,
N’água que alivia as dores,
Cura as chagas e as feridas.

Eu tenho sede na minha alma
Da Luz verdadeira e da viva crença,
Do Senhor dos mundos, do Senhor da VIDA!
Do Jesus vivo e triunfante!

Senhor, eis-me aqui
Ao teu lado suplicante;
Dá-me de beber da tua fonte.

Marinalva Bezerra Santana

segunda-feira, 14 de maio de 2018

DIA ESPECIAL: Feira em Caldeirão Grande

 A feira de Caldeirão
Sempre foi destaque
Tendo o início marcado
Debaixo de uma baraúna
Onde se comprava e vendia
Carnes de criação e de gado.

Na antiga Praça Velha,
Hoje, Euzébio Bezerra,
Surgindo as primeiras barracas
De arroz-doce e brevidades.


Aparecendo os cereais,
O café, o açúcar,
A farinha, o arroz,
O feijão e o fubá.

Bolo de puba, bolo de milho,
Mingau e muito beiju
Doce de leite e sequilhos
Cocada de ouricuri.

Os primeiros compradores
Vinham de Saúde, vizinha
Levando ouricuri, mamona,
Requeijão, ovos e galinha.
v A feira ficou conhecida,
No povoado e arredores.
Por ser também dia de missa
Com a presença do vigário.

Que visitava a freguesia
Na capela pequenina,
Da Senhora Conceição
Onde se ergueu a Matriz.

Uma feira de cada mês
Era muito especial
Roupa nova, gente arrumada
Não existia dia igual.

O preço do ouricuri,
A conversa com o mascate.
Uma carta do correio,
Encontrar o namorado.

E foi crescendo,
A feira de segunda-feira.
Às dez horas da manhã
Tocava o sino da igreja

Era grande o movimento
De todos que chegavam
A pé ou a cavalo
Com carregados fardos
Num acompanhamento
De casamento e batizado.

Durante muitos anos
Aconteceu assim:
Ser presença à missa
Estar presente à feira
Afinal, era preciso
No dia de segunda-feira.

(Ver Feira da Segunda Feira em Vida, Perfil e Terra)

domingo, 13 de maio de 2018

S E R M Ã E


Ser mãe é determinar
Uma ponte de amor,
Entre o universo
E humanidade;

Gerar um filho,
Significa criar laços
De amor, carinho e proteção,
Que vão enlaçando,
Que vão prendendo,
Sutilmente...
Os seres criados!

A família, assim como a árvore,
Cresce, mostrando
O seus disformes galhos,
Para todos os lados;

Ser mãe é ser como árvore,
Capaz de produzir
A seiva fecunda
De amor...
Para alimentar,
Para fortalecer,
Para aquecer,
Para proteger,
Os seus diferentes
E amados frutos!
Marinalva Bezerra Santana

sexta-feira, 11 de maio de 2018

R E C O R D A N D O

Mensagem da Prof.ª Alaíde, pelo 25º aniversário de Magistério, escrita para o “Jornal Conhecer” em novembro de1975.

Prof.ª Alaíde 

Saudade... Defini-la quem pode? Vai bem distante o dia feliz em que tive a ventura de ser admitida como aluna no ambiente sagrado do Educandário Nossa Senhora do Sacramento, da cidade de Senhor do Bonfim. Foram dias de felicidade, paz, amor e estudo. Os sábios ensinamentos ali recebidos permanentemente ficam guardados no meu coração. Com especial carinho, lembro hoje o dia 29 de Novembro de 1950, dia em que me tornei mestra partindo de lá, com um mundo de ilusões na alma cheia de vida, ansiosa pelo momento de pôr em prática, na realização do meu trabalho de professora, tudo que de bom, me foi dado pelas Irmãs Sacramentinas.


Se eu pudesse retroceder a máquina do tempo e fizesse do passado um vivo presente! De tudo tenho saudade: Mestras... Irmã Angelita, colegas, Lizinha, Elizabete Andrade, círculos de ação católica. Vamos Marieta? Aulas... História Geral, Irmã Sacramento... Padre Pereira. A Capela onde achei paz, consolo nas horas de aflição...

Após 25 anos, minha alma ainda transborda de gratidão pelo Colégio amado, templo bendito de paz, de amor, fonte de vida para o espírito e o intelecto... Lembrança querida dos meus dias de jovem, recordação feliz que ainda hoje faz eco no meu coração. “Após 25 anos, eu ainda te dou ADEUS...”.

terça-feira, 8 de maio de 2018

CALDEIRÃO GRANDE E SUAS DIVERSÕES DESDE OS TEMPOS PASSADOS


As informações que temos dos mais antigos, são de que em tempos remotos, as diversões eram ligadas aos acontecimentos familiares, ao trabalho, às atividades da vida rural em que viviam.           A exemplo os nascimentos, os batizados, os casamentos, as festas religiosas e as comemorações dos santos, as Santas Missões, o dia de missa e o dia de feira, eram considerados dias especiais, de grande significado para as pessoas pelo prazer de encontrarem-se.

No trabalho, desde o plantio à colheita, eram feitos em grupos com muita cantoria, assim como os batalhões por ocasião do plantio e colheita do feijão, da mamona, do milho e da quebra do licuri.Tudo havia o lado divertido, com batuque sapateado e muita comida.

As famílias antigas costumavam possuir um espaço junto às suas residências, destinado a realização das festas. Moças e rapazes da época organizavam passeios, feijoadas trajando fantasias, roupas e chapéus coloridos, assim comenta com saudades, minha mãe Maria Izabel, residente em Senhor do Bonfim, recordando de uma animada feijoada organizada por Dona Bete, com a moçada do lugar e da vizinhança, na casa de Euzébio Dias Bezerra. Costumavam reunir-se à sombra das árvores, cantavam, dançavam ao som de violão e sanfona como aconteceu inúmeras vezes em frente da casa de Dona Marcelina do Sr. Manoel Luis Correia, no alto da Lagoa, embaixo dos umbuzeiros.

Sabe-se que as Festas de Argolinha são as mais antigas, bem como as corridas de cavalo, que aconteciam com certa frequência.

Interessante é que quando crianças, às tardes do domingo, nos divertíamos muito fazendo a imitação dessas festas, como os tradicionais guisados, e as corridas de cavalos de pau, em que a torcida do azul e do vermelho, vibrava pela respectiva rainha que conseguisse mais votos e pelo lado vencedor.

Os reisados, os ternos, os dramas, as quadrilhas, as festas de vaqueiro e de caçadores, também eram freqüentes.

Nas noites enluaradas cantavam e dançavam rodas. A criançada e todos se encantavam, ouvindo emocionantes histórias contadas pelos mais velhos.

Muitas festas comemorativas, os tradicionais bailes e carnavais, aconteceram no Prédio Rural, também no salão de Zequinha Bezerra, no local onde é o atual Banco do Brasil e outros. A maioria delas animadas pelo Conjunto musical de saxofone do inesquecível Teté e do Sr. Alexandre, famoso na região.

Consideradas festas da sociedade caldeirãograndense ou festas de família, como se chamava, não era permitido a entrada de desconhecidos nem de moças e rapazes de menor idade ou de cor. Em geral os jovens tinham seus acompanhantes ou responsáveis. Havia ainda uma rigorosa seleção, que hoje chamaríamos de discriminação e preconceito entre as pessoas, pelo fato de que moças “faladas” namoradeiras, e que não tivessem boa apresentação,jamais frequentavam esses locais. Durante os eventos, as mulheres não ingeriam bebidas alcoólicas. Era comum naquela época tomar um delicioso chocolate, refresco de maracujá, mingaus, doces, bolos etc. Os homens bebiam discretamente nos reservados, vinho, conhaque, aguardente e outras bebidas. Por esses tempos, algumas famílias costumavam desentenderem-se por não aceitarem o namoro e união de seus filhos, quando não fosse da escolha e do gosto dos respectivos pais. Acontecia então que os jovens apaixonados, geralmente casavam as escondidas ou fugiam, permanecendo por muito tempo, sem dar notícias.

Um fator que também separava as pessoas nas festas e comemorações naquela época, era a constante rivalidade política partidária, que havia no lugar.
...

Com o passar do tempo, moças e rapazes se divertiam nos “assustados" que eram festinhas relâmpago, de radiola, organizadas nas residências, sobretudo em tempo de férias. Foram abertas também "tardes e manhãs dançantes”, para a juventude em geral. Os bares e boates ganharam movimento e freqüência de todos, com animadas e inesquecíveis festas que marcaram a época em Caldeirão Grande.


Bar Imperial – atual Supermercado do Pirinho
Bar e Boate João Ribeiro – no atual Largo João Ribeiro
Bar Continental de Valdivino (Nenen)
Bar do Pedrão – atual Casa Lotérica
Bar do Detinho Cerqueira
Elite Bar - Bar do Zezito
Katim Bar.

MEMÓRIAS/Marinalva Bezerra Santana

segunda-feira, 7 de maio de 2018

CALDEIRÃO GRANDE: AGRICULTURA, PECUÁRIA E COMÉRCIO


O ouricuri, a mamona, o sisal representam uma marca significante na história da economia do município de Caldeirão Grande, seguindo o feijão, a mandioca, o milho, a batata doce, banana, aipim...

O OURICURI- Fruto nativo que vem atravessando séculos e gerações, considerado o meio de sustento para grande parte das pessoas, aumento na renda de alguém ou como único meio de sobrevivência para famílias inteiras sem emprego ou função.

A MAMONA- Teve sua fase de grande safra no passado, levada para outras regiões através de vários compradores desse produto. Ao longo do tempo nada foi feito e nada se investiu no beneficiamento local desses produtos.

O SISAL- Foi grande a produção de sisal no município. Na época se via grandes extensões de terra com o plantio de sisal. Os principais produtores foram: Edgard Pereira, Pedro Bezerra Filho, Manoel Enedino Gama, Djalma Nascimento, José Alves Bezerra e Nelson Santana.

No cultivo e processo de transformação das fibras até o beneficiamento final, trabalharam muitas pessoas, constituindo na época, meio de sobrevivência dessas pessoas. O trabalho das pessoas que faziam o beneficiamento das fibras, conhecidos vulgarmente pela alcunha de “piolho de motor”, constituía no mais perigoso, pois estavam constantemente expostos a sofrerem graves acidentes, como ocorreu com vários trabalhadores que tiveram dedos, mãos e até braços mutilados no serviço, pois trabalhavam sem proteção alguma e com equipamentos que facilmente ofereciam esses riscos de acidentes.

O sisal que chegou a ser exportado também teve sua fase de auge, porém passou, a exemplo dos outros produtos citados; não houve nenhum interesse no seu melhoramento; nenhuma oficina para o aproveitamento em confecção de peças artesanais que o sisal proporciona entre outras utilidades.

A MANDIOCA- É bastante expressiva a cultura da mandioca no município. Várias casas de farinha trabalham o produto na transformação das raízes em farinha, tapioca e beijus, onde são comercializados nas feiras livres de toda região. Porém os produtores vivem na expectativa de obterem financiamentos e apoio para novos investimentos.

PECUARIA - Em Caldeirão Grande, se desenvolve a criação de bovinos, caprinos, suínos, equinos e asininos. Existe também a atividade de pesca nos açudes e lagoas, criação de galinhas e se pratica a apicultura.

Os produtos tais como carnes, queijo, requeijão, manteiga, milho, feijão, farinha de mandioca, rapadura, frutas, frangos, ovos, mel de abelha, óleo de licuri, balaios, cestas, esteiras, chapéus de palha, vassouras, bolsas, bocapios, panelas de barro, moringas, acessórios de couro para arreio animais e outros são comercializados na feira livre do município e comércio local.

A CASA DO MEL


Várias pessoas vêm desenvolvendo a atividade de produção de mel de abelhas, tornando com isso, o município, grande produtor. Atualmente, Caldeirão Grande, possui a Casa do Mel, projeto do Governo do Estado conjuntamente com a Prefeitura Municipal através da Secretaria de Agricultura, inaugurada em 24 de março de 2007, na administração do Prefeito João Gama Neto. 

Para esse local o mel é trazido em caixas pelos apicultores, de onde são extraídos e submetidos ao processo de beneficiamento feito por modernos equipamentos, ficando pronto para o consumo e exportação. Essa atividade tem gerado emprego e renda para várias pessoas no município. MEMÓRIAS/Marinalva Bezerra Santana